Rui Rosmaninho
Arquiteto


O complexo desportivo é um centro de alto rendimento para a prática de ciclismo de pista coberta e, ao mesmo tempo, um espaço de excelência para a prática do desporto, com condições para a coexistência simultânea de várias modalidades desportivas ou eventos, com caráter multiusos. Foi projetado como uma infraestrutura autónoma, capaz de permitir a prática desportiva, facultar atividades de lazer, oferecer serviços de restauração e funcionar como um dormitório para atletas em estágio ou em competição.

O edifício assume um caráter contemporâneo, baseado em linhas simples e minimalistas, com uma imagem bem identificada do ponto de vista volumétrico e da linguagem arquitetónica. O programa funcional distribui-se em três pisos, com uma composição de vários volumes interligados e centralizados numa nave de volumetria significativa, onde se localiza uma pista de 250 metros para a prática de ciclismo “indoor” e um recinto central polivalente, onde é possível a prática de várias modalidades desportivas.

Os dois recintos desportivos localizam-se em pisos distintos de modo a poderem funcionar autonomamente e ao mesmo tempo. Possuem inclusivamente bancadas autónomas para público espetador. A planta elíptica da nave foi opção por uma questão de otimização da área interior, uma vez que é a forma que mais se assemelha ao desenho da pista interior. A pista é construída e revestida em madeira, assente sobre estrutura fixa. A opção pelo piso em madeira deve-se às melhores "performances" de velocidade relativamente a um piso de betão.

A iluminação da nave é efetuada por três fenestrações horizontais de considerável dimensão, cuja localização estratégica evita a incidência solar direta sobre as áreas de prática desportiva. Um pátio inferior ajardinado permite a iluminação natural dos compartimentos localizados ao nível do piso inferior, criando uma atmosfera exterior agradável para apoio direto aos ginásios e “healthclub”.

A madeira faz parte integrante do edifício e é o elemento mais marcante na imagem estética da edificação. Assume um papel de destaque em revestimento de paredes e pavimentos, na estrutura da cobertura da nave e na pista interior, refletindo a qualidade e a versatilidade deste material, seja como solução estrutural ou decorativa. A questão estética, associada à leveza estrutural e o desenho curvo das treliças levaram à aplicação na cobertura da nave de uma estrutura de madeira lamelada. É construída em madeira de abeto austríaco e revestida superiormente com placas de aglomerado de madeira. O desenho arredondado da estrutura da cobertura pretende ser uma repetição do molde criado pela forma da pista inferior.

A pista possui estrutura treliçada de suporte em madeira oriunda da República Checa. O revestimento superior foi executado em madeira LVL. Importada da Finlândia, possui elevada resistência e aderência, proporcionando um pavimento desportivo com maior firmeza, solidez e menos atrito. As paredes laterais de suporte da pista são revestidas em placas de aglomerado de madeira. Este revestimento cria uma espécie de desfiladeiro em madeira que permite a circulação em todo o perímetro na nave, com espaços amplos para divulgação de eventos e exposições.

Local Sangalhos, Anadia Dono de Obra Município de Anadia Estabilidade e Betão Armado, Rede de Abastecimento de Água, Redes de Drenagem de Águas Residuais e Pluviais Rui Terrível, Engenheiro Civil, Carlos Cosme, Engenheiro Civil, José Ferraz, Engenheiro Civil Infraestruturas Elétricas, de Segurança e Telecomunicações Licínio Alegre, Engenheiro Eletrotécnico Instalações Mecânicas para AVAC e AQS, Rede de Gás Natural Telmo Costa, Engenheiro Mecânico Instalações Mecânicas para AVAC da Nave Rafael Timóteo, Engenheiro Mecânico Mural Cerâmico Paulo Júlio, Artista Plástico Direção Técnica Marco Nobre, Engenheiro Civil Execução de Projeto 2006/2007 Execução de Obra 2007/2009 Construtor Alberto Couto Alves SA Fotografia Miguel Rolo